Como não amar

Ah, eu e minhas confusões. É dificil afirmar em voz alta, já tentei treinar no espelho, mas não sai, travo. Por isso decidi escrever, fica mais fácil. A verdade é que NÃO AMO ELE. É isso, simples assim, mas não consigo dizer. Talvez seja um medo de afirmar mais uma aventura, mais um rolo, caso, namorico, seilaoquemaispodeser…

Eu não amo aquele jeito estranho dele comer pão com manteiga e mel. Não posso amar sua falta de gentilezaS. Como vou amar se ele é capaz de fazer piadas em momentos errados? Se ele é capaz de tocar mal vários instrumentos? Não consigo amar a sua gargalhada estúpida. Eu fico imaginando quando ele for velho, não será algo bom. Será aqueles velhos chatos, tipo babões.

Não dá para amar, não dá. Ele não sabe o que é Twitter, escreve palavras simples erradas. É pão-duro, é mais baixo que eu, mas tem os braços fortes, admito. Ele só gosta de filmes de ações, tem costumes bobos, cheio de manias tolas e não deve saber quem foi Virginia Woolf. Não posso amar sua tranquilidade matinal, sua manina de andar pela casa de cuecas. São cuecas brancas que ele ganhou da mãe. Eu disse que isso perde o encanto. Ele ri, me beija, me abraça, diz que me ama. Eu, num longo silêncio, olho no fundo dos olhos dele e digo EU TE AMO.

Eu não te amo mais, tchau!

O filme Closer é um bom exemplo daquelas coisas que ou se ama ou se odeia. Eu amo esse filme, porque o acho muito verdadeiro, intenso, honesto… apesar das traições cometidas.

Já assisti várias vezes e cada vez gosto mais de uma personagem e menos de outras. A minha preferida é a Alice (Nataly Portman), as outras três personagens se qualificam numa categoria mais parecida, acho-os previsíveis.

Enfim, estou a escrevir isto aqui porque gosto da maneira como Alice simplica os relacionamentos:

Por que você foi embora?

Problemas com um macho.

Namorado?

Tipo.

E o deixou, simplesmente?

É o único jeito de se terminar. “Não te amo mais. Adeus.”

E supondo que ainda o amasse?

Não iria embora.

Nunca deixou alguém que ainda amasse?

Não.

Imatura Incógnita

E se eu pensar que estou de antemão a correr por aquilo que considero intocável, se na verdade todos os meus passos que penso ser distante, na verdade continuam levando até você?

E quando digo você, não sei se digo a você mesmo, esse você talvez seja uma incógnita, ou melhor, uma constante como de um problema matemático.

E quem disse que a vida não se resume a um problema matemático? Sabe aquela constante que você sempre se apega quando precisa de respostas? É assim que funciona, assim que é, cada um com a sua constante para trazer ou levar de volta.

Talvez minha constante seja você, não unicamente você, ter você, ver você. É uma constante complexa que preciso manter viva, mais ou menos assim: amo você, sem você me amar, esta é minha constante, se diferente for, morro. Se diferente me tornar, esvazio-me.

Cotidiano Executivo

Ele é entretido a fazer mil coisas ao mesmo tempo e sem não há o que fazer, para ele existe sim, mil possibilidades. Acordar tarde é as oito, acordar cedo é as seis, de segunda a segunda. Eu me pergunto o que vi nele.

No início era aquela seriedade enrustida em seu terno perfeito, era seu cabelo demonstrando uma certa idade, quase quarenta. Gostei.

Eu ficava a reparar em seu perfil, achava feio aquele nariz reto apontando pra baixo, com aquele lábio de boneca ‘baby’, e dizia a mim mesma não ser capaz de querer nada com ele a não ser uma amizade do tipo ‘vamos tomar um wisky e contar nossos problemas no trabalho’. Assim aconteceu, até que ele me convidou para ir ao cinema, eu curiosa, quis saber como um executivo se comporta no cinema. Ele como pipoca e coca-cola? Ele é capaz de uma gargalhada alta? Sorri. Vou ao cinema com ele.

De lá pra cá já não durmo mais sozinha, ele me faz companhia durante as noites, cansada depois de um dia exausto de trabalho. Ele tem algumas manias bobas: fuma um cigarro antes do banho, antes do jantar e depois também, entre outras mais interessantes. Wisky só no seu bar preferido ouvindo rock’n’roll. Pois é, conheci um executivo roqueiro metido a intelectual, que sabe piadas ótimas. Ele é mesmo tudo isso, assim. E sabe que estou gostando?

O poder de uma canção

Essas pessoas que não apreciam música devem ser objetos de estudos profundo. Digo música no geral, todos os tipo, sem pré-conceitos. Porque música é para transformar em todos os sentidos: tem aquelas canções que te deixam tristes, outras trazem alegria, outra lembra a infância, outra uma história de amor, outra lembra sacanagens… Enfim, música é música por mais que cada um tenha o seu gosto pessoal. Eu particularmente gosto de rock, blues, jazz, MPB e eletrônica. Mas já fui no Carnaval de Salvador e curti as músicas do Chiclete com Banana, sem medo de ser feliz! E como disse um amigo meu, eu sucumbi à essas canções! rs Mas era o momento, o som, a batida dos batuques realmente contagiam, só quem pôs os pés lá no Circuito do Carnaval Baiano sabe do que estou falando. O negócio é porreta! (como dizem por lá!)

Enfim, resolvi escrever aqui hoje só pra dizer que ontem uma música me tirou da tristeza que eu estava sentindo, de repente, como se um anjo tivesse soprado as primeiras notas ao meu ouvido, cantei “Eu não estou disposto a esquecer seu rosto de vez, e acho que é tão normal. Dizem que sou louca por eu ter um gosto assim, gostar de quem não gosta de mim. Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você”

E, acreditem, essa música me deu uma paz, apesar da letrinha triste, me fez um bem danado! Me peguei rindo, recordando as coisas da vida!

Ah, a vida é linda, é bela demais pra ficar deprê!

Pronto, passou! Renovei-me!

Mas meu coração está tão cansadinho que por enquanto só quero saber do meu trabalho, de escrever por aqui, dos meus amigos. E só!

Às vezes é bom dar um tempo pro coração. Eu só admito entrar em outra relação se eu estiver completamente bem. Não quero ficar com ninguém por carência.

E que tudo seja eterno enquanto dure. Até a dor!

Distraídos

“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”

Para não esquecer – Clarice Lispector

Sentimentos

Eu preciso ao menos tentar. Olhar o caderno de receitas e não pensar que tal receita te agradaria, porque todos os nossos jantares foram esquecidos, ao menos deveriam ser.

Preciso dirigir meu carro sem olhar pra direção da sua casa, preciso me concentrar mais.

Eu gostaria de não me importar se amanhã fará chuva ou sol, porque isso ou aquilo pode atrapalhar sua caminhada matinal.

Vou esquecer que tenho celular, para não ver a luz piscando, diz que alguém me ligou. Queria não pensar ser você. Não é.

Quero trocar o meu lençol, usar algum que não dividi com você. Sendo assim, precisarei comprar lençóis novos.

Eu sinto uma angustia que o cigarro já não resolve. Ver sua foto já não me acalma. E se eu tentar dormir, você estará por lá também.

Como é ruim esperar o que não se espera.