Seja mais verdadeiro, menos banal

Eu costumo odiar quem reclama da vida. Nada mais chato e anti-social que aquela pessoa que nunca está bem. Quando você pergunta apenas educadamente “oi, tudo bem?” a pessoa responde “nada bem” e começa a relatar todos os problemas. Pura chatice! Puro desejo que os outros pensem “coitada, que vida sofrida”. Eu fico me perguntando como uma pessoa pode gostar de parecer frágil perante as outras. E pior, levar uma vida que não quer, num emprego que não quer, ao lado de alguém que não gosta, apenas porque “ah, tudo é tão complicado”. Não, não é! A vida tem seus obstáculos sim, mas basta você querer e saber o que quer para fazer tudo dar certo! Acredite! Não existe frase melhor do que aquela “a felicidade está dentro de você” (é piegas, eu sei, mas muito verdadeiro!).

Eu posso estar mal, muito mal, triste por alguma coisa relevante, mas se me perguntarem como eu estou forço sim um leve sorriso e digo “tudo bem”. Isto não é uma questão de parecer uma coisa que não sou, é apenas a educação básica que aprendi. Se for uma pessoa mais intima, ela terá o bom senso de não fazer essa pergunta num momento ruim.

E partindo desse princípio básico da educaçãozinha que aprendemos na infância, é agradável que você também não seja uma pessoa grudenta demais, que mal conhece e chega abraçando, pegando, fazendo aquele famoso movimento do tapinha nas costas, ou pior aquele outro que consiste com o dedo em riste ‘futucar’ o braço alheio. Ah, sim, também tem aquele grotesco enlace dos braços seguido da frase ‘menina, deixa eu te contar uma coisa’. Essa frase pode ser substituída por algum comentário divertido, sem ofensas alheias, que não necessite de contato físico no primeiro momento (deixe para falar mal da vida alheia com uma pessoa que conheça bem, tenha um grande grau de confiança, e, principalmente, que já lhe confessou algum grande defeito. Pra mim, essas pessoas confessionárias de suas fraquezas são aquelas que você mais pode confiar.)

Todos abraçam e beijam como se isso fizesse parte do dia-a-dia, como se fosse igual a comer e tomar banho, mas não é! Não seria mais interessante e verdadeiro se preservássemos um pouco mais isso? Se não fosse necessário dar dois beijos em quem acabamos de conhecer? Vai me dizer que você sentiu vontade de tocar sua bochecha nessa outra nova bochecha que acabou de aparecer na sua frente? Vai me dizer que sim?

Não vamos banalizar nossos belos gestos. Ainda acho o ser humano incrível, mas infelizmente ele tem a terrível capacidade de transformar coisas especiais em pequenas coisas.

(Ouvindo Vanessa da Mata – Absurdo)