As razões que a própria sacanagem desconhece

Que todo mundo tem um dia de malandro isso é fato. Todo mundo tem um dia que diz que vai ligar e não liga, que sente vontade de pular a cerca, que mente para o chefe que está passando mal, que come mais do que a fome pede e tudo mais. Somos humanos.

Mas então o que leva a pessoa a se fingir de coitado? A manter nos momentos de brigas um ar de coitadinho? De desentendido? De abandonado? Não gosto disso. Prefiro as pessoas que partem pra cima, que brigam com coragem e dignidade, com força, com garra! Que seja por ciúmes, por loucura, por sacanagem e tudo isso junto, mas por favor, meu amor, não dê um passo que me faça acreditar que o máximo da sua maldade é fingir-se de coitado.

Anúncios

Silêncio aqui dentro

É como aquele momento que é preciso dizer alguma coisa, mas tudo fica preso na garganta. Estou assim e já nem quero saber por que.

quero ficar um pouco quieta no meu cantinho. Meu lar, minha casa.

Já voltei de Porto Alegre, fiquei encantada com a cidade, as pessoas, tudo! Deu até vontade de morar lá! Tirei algumas fotos, vou colocar aqui depois.

Comprei o livro ‘Outros Escritos’, da Clarice Lispector. Gosto de ler o que os consagrados escreviam quando eram simples mortais…rs

Ah, me desculpem a falta de assunto. minha cabeça está fazia. Outros chamam isso de meditação, que seja.

Como receber um fora sem perder a classe

Você, mulher moderna, cansada desse mundo machista e patriarcal resolve que chegou o momento de se declarar aquele sujeito bobalhão, que usa óculo, tem uma barriguinha de choop e ouve Tears For Fears, mas, que por sabe lá o quê, você resolveu intitulá-lo de ‘o homem da minha vida’.

Já faz algum tempo que vocês se encontram, escondido, é claro. Porque ele tem namorada , é óbvio – mulheres modernas que se prezem precisam de um homem comprometido em suas vidas. Mas, por favor, limitem-se apenas aos homens com namoradas, homens casados são muito complicados. E quando tem filho, então, deusôlivre! Vai por mim, mulher moderna!

E quanto mais tempo de namoro o sujeito tiver, melhor, pois maior será a glória quando ele resolver definitivamente ficar somente com você. (Nesse ponto entra a questão que você será a namorada, e que, logo logo, aparecerá uma outra mulher para roubá-lo de você, assim como você fez um dia. Ou seja: a vida é um ciclo, ou você aprende a se divertir com isso ou se tornará uma velha chata e solteirona.)

E antes que os homens se sintam poderosos é preciso deixar bem claro que mulheres modernas não precisam de muitos sentimentos para trair. Quem cometeu a blasfêmia de dizer que mulher só trai quando tem sentimentos?

Homens, vocês não entendem nada! Mulheres modernas lêem Nelson Rodriguês que sabiamente citou a frase “é preciso trair para não ser traido”. É isso, prestem atenção: se você traiu a sua mulher, contou a ela e a considerou um ser superior por simplesmente ter te perdoado sem fazer qualquer escândalo, cuidado rapaz! É bem capaz dela não ter brigado com você porque transou com seu melhor amigo naquela festa do ano passado. E pelas contas, vocês estão num empate de chifres.

E mais: nós mulheres modernas sabemos que, na verdade, vocês somente se apaixonam pela gente, mas não nos levam a sério porque estamos fazendo algo fora da ordem, num português mais claro e xulo: estamos trepando sem compromisso. Ponto.

Voltando ao assunto principal: você, mulher mega moderna, resolve dizer aquele famoso ‘eu te amo’ para o principe com cara de sapo, mas que mesmo assim você acha que ama. Claro que apenas “acha”, mulheres modernas são impulsivas e adoram meter os pés pelas mãos.

Você, então, já totalmente nua sobre a cama, ele em cima de você, olhando profundamente em seus olhos, mão com mão, pé com pé, beijo na boca e você diz:

“eu amo você”

Ele diz:

“ama mesmo?”

Você afirma com a toda certeza do mundo:

“eu sei que te amo”

Então ele te enche de beijos por aproximadamente 5 minutos e diz:

“você é linda”

Nessa hora, minha amiga, respira fundo, mas sem ele perceber o seu desapontamento, faz cara de blasé e concentre-se nos defeitos do rapaz. Continue lá brincando de momento feliz, mas perceba que por trás do homem da sua vida existe um homem medroso, que não tem coragem de viver uma grande aventura como num cinema. Que ele não será capaz de dançar com você na chuva, tampouco te levará aquele restaurante francês. E o mais importante de tudo: ele é um idiota que está traindo uma pessoa legal. Sim, você já parou pra pensar que a outra mulher da vida dele é uma pessoa legal? Tenha certeza que é. Tenha certeza que ela poderia ser sua melhor amiga, sua irmã, sua mãe. Tenha certeza que por mais moderna que seja sua vida tem algo fundamental na vida: respeito ao próximo! Portanto, se ele não tem com ela algum tipo de relacionamento aberto – aquele que o casal pode pular a cerca com o consentimento do outro – ele não serve para você, ele não é o homem da sua vida, nem dela! Porque ele finge que está tudo bem, vive uma vida dupla, quanto na verdade a vida dele é um mentira em função de seu desejo sexual descontrolado, praticamente um animal selvagem.

Agora você já estará arrependida do “eu te amo” que acabou de dizer.

Agora você olha pra ele e o vê como um homem comum.

Pronto, você saiu bem do grande fora da sua vida, pronta para outro e outros e outros. Sim, mas cuidado. Não esqueça que a vida é um clico repetitivo e a chance disso acontecer novamente não deve ser descartada.

Ok. O importante é viver intensamente e não se arrependa de coisas que você não fez. Se jogue sempre!

(Ah, claro, você tem o total direito de chorar por três noites seguidas, mas se passar disso, liga pra ele e marque mais um encontro só pra matar a saudade, mas agora sem declarações estúpidas de amor, por favor.)

Imatura Incógnita

E se eu pensar que estou de antemão a correr por aquilo que considero intocável, se na verdade todos os meus passos que penso ser distante, na verdade continuam levando até você?

E quando digo você, não sei se digo a você mesmo, esse você talvez seja uma incógnita, ou melhor, uma constante como de um problema matemático.

E quem disse que a vida não se resume a um problema matemático? Sabe aquela constante que você sempre se apega quando precisa de respostas? É assim que funciona, assim que é, cada um com a sua constante para trazer ou levar de volta.

Talvez minha constante seja você, não unicamente você, ter você, ver você. É uma constante complexa que preciso manter viva, mais ou menos assim: amo você, sem você me amar, esta é minha constante, se diferente for, morro. Se diferente me tornar, esvazio-me.

Cotidiano Executivo

Ele é entretido a fazer mil coisas ao mesmo tempo e sem não há o que fazer, para ele existe sim, mil possibilidades. Acordar tarde é as oito, acordar cedo é as seis, de segunda a segunda. Eu me pergunto o que vi nele.

No início era aquela seriedade enrustida em seu terno perfeito, era seu cabelo demonstrando uma certa idade, quase quarenta. Gostei.

Eu ficava a reparar em seu perfil, achava feio aquele nariz reto apontando pra baixo, com aquele lábio de boneca ‘baby’, e dizia a mim mesma não ser capaz de querer nada com ele a não ser uma amizade do tipo ‘vamos tomar um wisky e contar nossos problemas no trabalho’. Assim aconteceu, até que ele me convidou para ir ao cinema, eu curiosa, quis saber como um executivo se comporta no cinema. Ele como pipoca e coca-cola? Ele é capaz de uma gargalhada alta? Sorri. Vou ao cinema com ele.

De lá pra cá já não durmo mais sozinha, ele me faz companhia durante as noites, cansada depois de um dia exausto de trabalho. Ele tem algumas manias bobas: fuma um cigarro antes do banho, antes do jantar e depois também, entre outras mais interessantes. Wisky só no seu bar preferido ouvindo rock’n’roll. Pois é, conheci um executivo roqueiro metido a intelectual, que sabe piadas ótimas. Ele é mesmo tudo isso, assim. E sabe que estou gostando?

O poder de uma canção

Essas pessoas que não apreciam música devem ser objetos de estudos profundo. Digo música no geral, todos os tipo, sem pré-conceitos. Porque música é para transformar em todos os sentidos: tem aquelas canções que te deixam tristes, outras trazem alegria, outra lembra a infância, outra uma história de amor, outra lembra sacanagens… Enfim, música é música por mais que cada um tenha o seu gosto pessoal. Eu particularmente gosto de rock, blues, jazz, MPB e eletrônica. Mas já fui no Carnaval de Salvador e curti as músicas do Chiclete com Banana, sem medo de ser feliz! E como disse um amigo meu, eu sucumbi à essas canções! rs Mas era o momento, o som, a batida dos batuques realmente contagiam, só quem pôs os pés lá no Circuito do Carnaval Baiano sabe do que estou falando. O negócio é porreta! (como dizem por lá!)

Enfim, resolvi escrever aqui hoje só pra dizer que ontem uma música me tirou da tristeza que eu estava sentindo, de repente, como se um anjo tivesse soprado as primeiras notas ao meu ouvido, cantei “Eu não estou disposto a esquecer seu rosto de vez, e acho que é tão normal. Dizem que sou louca por eu ter um gosto assim, gostar de quem não gosta de mim. Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você”

E, acreditem, essa música me deu uma paz, apesar da letrinha triste, me fez um bem danado! Me peguei rindo, recordando as coisas da vida!

Ah, a vida é linda, é bela demais pra ficar deprê!

Pronto, passou! Renovei-me!

Mas meu coração está tão cansadinho que por enquanto só quero saber do meu trabalho, de escrever por aqui, dos meus amigos. E só!

Às vezes é bom dar um tempo pro coração. Eu só admito entrar em outra relação se eu estiver completamente bem. Não quero ficar com ninguém por carência.

E que tudo seja eterno enquanto dure. Até a dor!

O de ontem e hoje

Acredito que cada um de nós veio ao mundo com certas habilidades. Uns sabem falar em público, outros preferem escrever uma carta. Tem aqueles que não conseguem ler em voz alta, mas adoram livros. Outros que nasceram para ensiar, outros para ser um bom exemplo. Ah, sim, as mães! Não posso me esquecer dessa categoria mais linda. É um dom vindo de outra dimensão essa coisa de ser mãe, de gostar, de saber brincar com crianças, de amar sem limites…

Aos homens foi dado o dom da sabedoria prática: um mais um são dois. Às mulheres a grande sabedoria de transformar pequenas coisas em grandes coisas. Assim: a mulher leva um fora do rapaz, este que fez as contas (1+1=0, por exemplo) e fez a declaração simples e direta “minha querida nós dois juntos não podemos mais. A mulher sorriu, disse se sentir aliviada por ele ter terminado, estava bem. Mas por ela saber transformar pequenas coisas em grandes se derramou em lágrimas quando trancou a porta do quarto. Enquanto o rapaz estava bebendo com os amigos e avistando um belo bumbum.

E assim caminha a humanidade. Quem está lendo tudo isso pode pensar: “A Lia levou um fora”. Não levei, não dessa vez, eu apenas terminei o que era preciso terminar, ele queria continuar da jeito dele, eu do meu, fiz algumas continhas e disse: “assim não quero mais”, então, ele foi embora. Chorei, como se fosse eu que tivesse levado o fora. Mas não. E porque, D. Lia? Eu pergunto a mim mesma. Já não sei mais. Eu fiz o que fiz porque achei melhor, porque fiz minhas continhas e não valia a pena. E eu sou uma pessoa que gosta de fazer coisas que valham a pena, sejam elas pequenas ou grandes coisas.

Esse sofrimento de hoje vale mais a pena do que ter podido sorrir ontem.

Olha só: vivemos nessa tentativa estúpida de rótulos, quanta bobagem! Há homens sentimentais, há mulheres frias, há aqueles que se dividem, são dois, são três. E quem mais se importa? Eu não! Vou chorar mais alguns dias e daqui a pouco vai estar tudo bem.

Me deixem com meu wisky.

Ouvindo: “Black Hole Sun – Chris Cornell”

Sentimentos

Eu preciso ao menos tentar. Olhar o caderno de receitas e não pensar que tal receita te agradaria, porque todos os nossos jantares foram esquecidos, ao menos deveriam ser.

Preciso dirigir meu carro sem olhar pra direção da sua casa, preciso me concentrar mais.

Eu gostaria de não me importar se amanhã fará chuva ou sol, porque isso ou aquilo pode atrapalhar sua caminhada matinal.

Vou esquecer que tenho celular, para não ver a luz piscando, diz que alguém me ligou. Queria não pensar ser você. Não é.

Quero trocar o meu lençol, usar algum que não dividi com você. Sendo assim, precisarei comprar lençóis novos.

Eu sinto uma angustia que o cigarro já não resolve. Ver sua foto já não me acalma. E se eu tentar dormir, você estará por lá também.

Como é ruim esperar o que não se espera.

Lágrimas

Tem dias que as lágrimas insistem, você até se esforça para elas não chegarem, finge que não é com você. Mas de repente você está lá – dirigindo, comendo, fumando, tomando banho, trabalhando, rindo de uma piada – mas, mesmo assim, ela vem. Lubrifica seus olhos sem você querer, a garganta trava, a voz não sai. Ela brota, mesmo que você não regue. Simplesmente vem, mesmo que você não queira lembrar por quê.

Ouvindo: “Los Hermanos – Retrato pra Iaiá”

Seja mais verdadeiro, menos banal

Eu costumo odiar quem reclama da vida. Nada mais chato e anti-social que aquela pessoa que nunca está bem. Quando você pergunta apenas educadamente “oi, tudo bem?” a pessoa responde “nada bem” e começa a relatar todos os problemas. Pura chatice! Puro desejo que os outros pensem “coitada, que vida sofrida”. Eu fico me perguntando como uma pessoa pode gostar de parecer frágil perante as outras. E pior, levar uma vida que não quer, num emprego que não quer, ao lado de alguém que não gosta, apenas porque “ah, tudo é tão complicado”. Não, não é! A vida tem seus obstáculos sim, mas basta você querer e saber o que quer para fazer tudo dar certo! Acredite! Não existe frase melhor do que aquela “a felicidade está dentro de você” (é piegas, eu sei, mas muito verdadeiro!).

Eu posso estar mal, muito mal, triste por alguma coisa relevante, mas se me perguntarem como eu estou forço sim um leve sorriso e digo “tudo bem”. Isto não é uma questão de parecer uma coisa que não sou, é apenas a educação básica que aprendi. Se for uma pessoa mais intima, ela terá o bom senso de não fazer essa pergunta num momento ruim.

E partindo desse princípio básico da educaçãozinha que aprendemos na infância, é agradável que você também não seja uma pessoa grudenta demais, que mal conhece e chega abraçando, pegando, fazendo aquele famoso movimento do tapinha nas costas, ou pior aquele outro que consiste com o dedo em riste ‘futucar’ o braço alheio. Ah, sim, também tem aquele grotesco enlace dos braços seguido da frase ‘menina, deixa eu te contar uma coisa’. Essa frase pode ser substituída por algum comentário divertido, sem ofensas alheias, que não necessite de contato físico no primeiro momento (deixe para falar mal da vida alheia com uma pessoa que conheça bem, tenha um grande grau de confiança, e, principalmente, que já lhe confessou algum grande defeito. Pra mim, essas pessoas confessionárias de suas fraquezas são aquelas que você mais pode confiar.)

Todos abraçam e beijam como se isso fizesse parte do dia-a-dia, como se fosse igual a comer e tomar banho, mas não é! Não seria mais interessante e verdadeiro se preservássemos um pouco mais isso? Se não fosse necessário dar dois beijos em quem acabamos de conhecer? Vai me dizer que você sentiu vontade de tocar sua bochecha nessa outra nova bochecha que acabou de aparecer na sua frente? Vai me dizer que sim?

Não vamos banalizar nossos belos gestos. Ainda acho o ser humano incrível, mas infelizmente ele tem a terrível capacidade de transformar coisas especiais em pequenas coisas.

(Ouvindo Vanessa da Mata – Absurdo)