Opus Dei e as mulheres

Um livro muito interessante será lançado hoje (16/11/2006): “Opus Dei e as mulheres“, das autoras Viviane Lovatti Ferreira (organizadora), Betty Silberstein, Clara Assis, Leticia Meireles, Maria Nazareth Rezende, Marilia Gouvêa, Rosidalva Julião, Sonia Maria de Menezes. Mais informações, clique aqui. Abaixo o Prefácio do livro:

“Como as artesãs de outrora, sete mulheres reúnem-se sob a coordenação de uma oitava mulher para fazer um tecido. Entretanto, os fios da trama e
da urdidura não são de algodão ou lã. São os fios de seda da memória.

Aos poucos, o trabalho toma forma, um desenho aparece: preconceito
racial e de classe, trabalho escravo, repressão da sexualidade e
homossexualismo, celibato e casamento, saúde da mulher, autoritarismo,
abuso de poder e doutrinação, destruição do eu, filhos e proselitismo.

Esse é o quadro que aparece no tecido a partir da lembrança dessas
mulheres que, em suas vidas, mantiveram, ou ainda mantém, alguma forma
de contato com o Opus Dei. O que qualifica o seu depoimento é o fato
delas serem ex-membros, esposas de ex-membros ou ainda irmãs ou mães de membros ativos do Opus Dei. O livro O Opus Dei e as Mulheres é o mais novo exemplar de uma safra de obras brasileiras que se dedicam a
desmascarar essa poderosa organização da Igreja Católica que, sob a
rubrica de “prelazia pessoal”, responde por seus atos diretamente ao
Papa, por meio de relatórios pasteurizados onde só aparece aquilo que
interessa mostrar.

Em pleno ano de 2006, e cinqüenta e sete anos após a
publicação do Segundo Sexo de Simone de Beauvoir (primeira edição
francesa de 1949), Viviane Lovatti Ferreira e suas companheiras lançam
luz sobre o modo de pensar e de agir de uma organização que submete as
mulheres à discrição, ao cumprimento de tarefas domésticas, à criação e
educação de filhos, entendendo, enfim, que metade da humanidade deva
exercer um papel secundário, onde a inteligência não seja exigida.

Portanto, um meio social artificial onde todos os avanços alcançados
pelo movimento feminista são solenemente ignorados. Sob a forma de
entrevista e com a linguagem leve de uma conversa entre amigas que
tecem, o livro introduz o leitor em um mundo sombrio onde o corpo de
homens e mulheres deve ser mortificado por meio de banhos frios,
autoflagelação e uso do cilício, mas que, no caso delas, adiciona-se
mais um martírio: dormir sobre tábuas. Como não ver nessa prática o
sintoma de uma mentalidade arcaica que ainda considera a mulher mais
sensual e mais fraca em relação aos instintos do que o homem? A resposta
oficial do Opus Dei é que dormir em tábuas faz bem para a coluna. Mas a
pergunta que surge então é a seguinte: só faz bem para a coluna
feminina?

Ao lançar um olhar feminino sobre essa máquina infernal de destruição da psique humana, o livro O Opus Dei e as Mulheres a um só tempo desmascara a face angelical que se quer transmitir por meio da missão de “santificar o mundo” e completa outros testemunhos já publicados, uma vez que esses foram feitos por homens que, por imposição das normas dessa organização misógina, devem ficar a léguas de distância das mulheres”.

(*) Prefácio do livro O Opus Dei e as Mulheres , escrito por Maria Amalia Longo Tsuruda, doutoranda em história e historiografia pela FE-USP)

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11 comentários sobre “Opus Dei e as mulheres

  1. Sou católico, agora não praticante. Realmente, nunca imaginei que as barbaridades chegassem a esse ponto, mesmo conhecendo um pouco da Santa Inquisição.
    Não podemos acreditar nem nas pessoas que usam o nome de Deus…

  2. Confesso que me interessei mais pelo tema, provavelmente da mesma maneira que uma grande parte da população: Código Da Vinci.

    Não fazia ideia que a Opus dei (obra de Deus) tinha costumes e hábitos tão bárbaros, a ideia que tenho é que pararam no tempo.
    Não sou crente, mas tenho as minhas dúvidas se Deus gostaria que sua obra fizesse tantas distinções entre géneros e favorecesse o “masoquismo”.

  3. acho engraçado que se fala da igreja como se ela fosse uma gota de ‘barbaridade’ no meio de um mar de perfeição e civilidade…

    é claro que se esperava mais (muito mais) da igreja que pretende ser ‘a’ igreja do único Deus. mas vamos lembrar que não foi a igreja que criou esta ‘barbaridade’, mas sim nasceu dentro dela, e sair do mar de lama é muito mais difícil do que não entrar nele.

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